segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Deus é a motivação para tratamento às drogas

O homem é um Ser livre por excelência, esta liberdade o leva a construir caminhos seguindo sua vontade, fazendo dela o seu destino. Dentro desta liberdade ao longo do tempo vai fazendo suas escolhas; vai criando sua independência ou dependência e assim, trilha sua história.

Quando um jovem conhece as drogas, para alguns ela o completa, levando-o a tornar-se usuário sendo beneficiado orgânica e psicologicamente pelo uso, passa a ter um estilo de vida segundo as características do tipo de droga escolhida.
 
Por mais que tentamos mostrar ao usuário e dependente os malefícios e as conseqüências que elas causam dificilmente conseguiremos, será um esforço em vão, com raras exceções.
Infelizmente, depois que alguém sentiu a experiência, o prazer da droga em seu organismo e em seu psíquico, havendo empatia é uma tarefa quase impossível convencê-lo deixar de usá-la.
 
Pois bem, quando este usuário se torna dependente o uso passa a ter uma conotação totalmente diferente em sua vida. Este uso transforma-se numa necessidade orgânica e psíquica, pois, a fissura, a ansiedade, a compulsão, a angustia, só ameniza ao usá-la.
 
Exemplificando; alguém que todos os dias toma calmante para dormir, quais os sintomas que sentirá quando lhe falta? Não dorme, seu estado psicológico altera significativamente, o dia seguinte é horrível.  Desta mesma maneira poderíamos usar um outro exemplo, um fumante sem cigarro fica instável, depressivo, altera seu humor, compulsivo, come o que achar pela frente... porém, num trago muda completamente, voltando ao seu estado emocional normal.
 
Por estes dois exemplos podemos entender a dificuldade que é uma pessoa dependente deixar o uso. Se no primeiro momento o bem-estar, o prazer da droga o leva a não ouvir as pessoas e continuar usando-as, por outro lado, quando já dependente todo o mal-estar pela falta o impede de parar.
 
Porem há dependentes que sofrem e têm grandes perdas sociais, seu organismo fica debilitado. Neste momento, parar já não é mais um desejo, mas sim uma necessidade. No entanto, torna-se impossível diante tantas conseqüências e reações orgânicas, psíquicas devido à síndrome de abstinência e outros fatores de ordem emocional. Quando o dependente atinge este quadro crítico, não conseguindo por outros meios deixá-la, é comum buscarem a força espiritual. Há vários dependentes químicos que somente conseguem libertar-se das drogas vencendo as crises de abstinência através do desenvolvimento espiritual.
 
O apegar em Deus lhe proporciona uma força extra sobrenatural capaz de ajudá-lo superar a dependência mudando radicalmente seu estilo de vida. Para nós que atuamos no tratamento por meio da espiritualidade podemos observar a facilidade que o recuperando encontra-se em abrir seus sentimentos, expondo sua vida com os profissionais de forma serena, em momentos crucias de um tratamento.
 
Quando falo desta experiência de Deus e o desenvolvimento espiritual, refiro-me uma experiência de um Deus misericordioso, isto é, a importância que nós temos para Ele, e não, uma experiência de um Deus que castiga que vê o homem como algo simplesmente carregador de pecados, pelo contrario, um Deus que acolhe. É sem duvida este acolhimento é o fator fundamental para a entrega no tratamento.

Ataíde Lemos
Autor dos livros
Drogas Um Vale Escuro e Grande Desafio para Família
O Amor Vence as Drogas
Livro de poesia Palavras Expressão dos Sentimentos

domingo, 11 de setembro de 2011

ESCOLHA VIVER SEM DROGAS!

 

Urbano, crack chega aos canaviais.


Acessível por causa do preço, substância tem sido usada por cortadores para aumentar a produção e reduzir o cansaço

por Tisa Moraes 

Escondida entre os talhões de cana-de-açúcar das plantações da região, uma droga comumente consumida nos grandes centros urbanos avança silenciosamente. Mais barato que a cocaína e mais potente do que a maconha, o crack está se transformando na principal válvula de escape para quem tem de cortar mais de dez toneladas de cana durante dez horas por dia.

Na tentativa de minimizar as sensações de dor e cansaço inevitáveis na lida com o podão (facão), bóias-frias historicamente apelaram ao uso de substâncias entorpecentes, como o álcool. Ainda hoje, a aguardente é companhia constante dos lavradores, mas o espaço que o crack vem ocupando nos canaviais nos últimos anos é espantoso, segundo a avaliação de especialistas.

“Há dez anos, não se tinha conhecimento da presença de crack dentro dos canaviais. Hoje, de cada dez trabalhadores rurais viciados, nove usam a droga. É o que predomina nas lavouras. A dependência que ele causa é impressionante”, analisa o psicoterapeuta Edson Aparecido Barboza, que há dez anos presta serviços na Casa Dia de Jaú, voltada ao atendimento de dependentes químicos.

Ao longo do último ano, a entidade recebeu 15 cortadores de cana-de-açúcar vindos de cidades da região para tratar da dependência desta substância. O último deles, C.R.H., 23 anos, está internado porque, em apenas quatro meses no campo, em Barra Bonita, perdeu toda a capacidade de trabalho pelo uso do crack.

“Comecei a usar com os colegas de serviço e, em pouco tempo, estava gastando todo o meu pagamento para poder fumar. Comprava todos os dias. Se não tinha dinheiro, roubava do meu pai. Era difícil controlar a vontade”, revela ele, que pagava R$ 10,00 por cada pedra do alucinógeno.

C.R.H. conta que, assim como ele, outros tantos lavradores ainda vivem esta mesma realidade. “Eles usam a droga, conseguem cortar bem mais cana e não sentem tanto o cansaço. A gente usa para agüentar o serviço pesado e acaba ficando dependente”, afirma, ressaltando que um primo seu também foi afastado recentemente do trabalho em virtude do mesmo vício.